quinta-feira, 9 de agosto de 2012
Para a nossa geração.
A liberdade é um conceito inventado pelo homem. É
mera criação de nossas mentes mundanas. Por isso é tão importante. Não é um
presente de deus ou do diabo, nem é uma força metafísica ou algo parecido. A
liberdade é algo forjada pela experiência humana a cada geração, criada e
recriada para suprir a necessidade que temos de uma vida plenamente saboreada e
experimentada. Liberdade é o nome que damos ao sentimento que sempre almejamos
e nunca conseguimos explicar ou entender direito. A cada instante, a cada
configuração que o nosso mundo atinge, a cada geração que se estabelece, nós,
homens e mulheres inventamos a liberdade.
Indiferença concreta.
Foda-se foda-se
Foda-se foda
Foda-se fo
Foda-se
Foda
Fo
Foda
Foda-se
Foda-se fo
Foda-se foda
Foda-se foda-se
segunda-feira, 30 de julho de 2012
Meus amigos são mesmo um barato.
Caminhei por alguns caminhos tortuosos, caminhei longas
distâncias ao passo que encontrava sempre novos rostos, novas faces com as
quais argumentava, e no meio desse caleidoscópio multiforme e multicor
encontrei o amor, o mais puro amor que um velho jovem coração pode encontrar. Meus
pés cansados ainda podiam caminhar, mas não precisei ir tão longe, os anjos me
encontraram, lindos anjos, lindos corpos de beleza e juventude, minha galera:
aqueles olhos verdes que tem sempre algo a dizer, parece até que a sabedoria
pousou nos ricos cachos que povoam sua iluminada cabeça, que de tão jovem tem
algo da sabedoria dos antigos, encontrei também a felicidade, a comunhão e
acima de tudo a celebração da vida na face magra, porém carinhoso e acima de
tudo amorosa do amigo que outrora poderia ter sido paixão, mas um amor maior
não poderia encontrar em outra instância que não fosse sua amizade, o sorriso
que sempre me fará sorrir não importa quão adversa seja a circunstância, a pura
beleza do amor e da beatitude se esconde nos seus modos rudes e que eu tão bem
consigo enxergar, e por detrás também de
uma barba cheia e dos cabelos negros eu só vejo a mais intensa ternura do
coração humano, aquele que é capaz de te bater a face com tanto carinho que a
dor nem ao menos será sentida no coração, o amigo com quem se tem vontade de
erguer todos os copos e quem sem ela a noite nunca vai ser a mesma, pois ele
trás consigo uma alegria tremenda e de tal forma contagiante que parece que os
antigos espíritos do festejo lhe acompanham, e por último o que parece ser
sensato onde a sensatez não cabe e que acaba dessa forma sendo insensato junto,
como todo mundo, aquele que traz na pele a marca de anos de sofrimento e que é
motivo de piada entre nós pela sua rigidez, mas tão rígido quanto ele é a
pureza do seu coração, a verdade que sai de sua boca cada vez que ele se pronúncia
e a paixão com que ele defende tudo aquilo que acredita. Alguns podem achar que
estas palavras não cabem mais, mas quer saber?! Meus amigos são mesmo um barato,
e essas palavras eu não tenho medo de pronunciar, mesmo que a força do tempo venha
a arrancar tudo isso de mim. Mas hoje? Hoje meus amigos são um barato.
(Para Ronald, Magão, Bruno e Luã)
terça-feira, 17 de julho de 2012
Para além de tudo isso.
Não pense que não, porque há em nossas almas
grandes pregos, tortos e enferrujados, que arranham nossos olhos com sua
propriedade pontiaguda de maldade. Há em nossas almas esses pregos, mas só há
quando há maldade. Um santo desce do céu e diz a todos nós que esses pregos são
doenças inevitáveis, frutos de nossos caprichos pequenos, mas que são capazes
de nos devorar pelo pé, fazendo-nos inúteis para a vida.
Eu não ligo se sou bom ou ruim para o mundo, apenas vejo da minha
janela, sem grande entusiasmo, o rosto daqueles que odeiam a vida, dos que se
maldizem e dos que morrem de tédio diante dos grandes edifícios que
rasgam a terra na sua infinita monstruosidade e feiura, como se fosse um peixe
habitando numa toca de tatu, fugindo sem saber ao certo os seus temores.
Uma noite para atravessar, um dia para se distrair de toda chatice que
nos miram e nos atingem como pedra, e lançado numa calçada suja de mijo de
rato, feito um corpo pesado que não resiste ao peso insuportável dos olhares o
povo, vou pensando em como temos um mundo feio pra suportar, pois ele é feio
porque assim foi a vontade do homem em construir esse mundo e essas casas de
muro alto que isolam e impede a agradável sensação de olha para a rua. Para
além dos muros, da rua e da cidade sabemos que existe um mundo grande, tão
grande quanto a maldade dos egoístas, para além disso tudo temos Portugal e
tantos outros lugares que formaram ao seu gosto novos lugares pela força da
espada, do tiro e do grito católico, e por isso somos assim, uma confusão de
sangue e identidade que vaza pelas nossas ações desmerecidas enquanto seres
vivos portadores de células, de doenças, de alma e feridas arruinadas pela
sujeira das grandes cidades e do ar preto que respiramos.
Eu poderia dizer que estou triste, mas não estou porque Deus planeja meu
dia desde muito antes de haver o existir, e tudo isso é bom apesar do que não é
bom, e isso, simplesmente, pode ser ignorado para que não haja nenhum apego ao
que possa nos mostrar como sendo chato ou antiquado. Isso desperta o desejo de
um mundo melhor, onde esse mundo seja nosso e não dos que tenham mais, nem dos
que ambicionam mais (Dona Rosane Collor), mas os homens não sustentarão a ideia
da felicidade enquanto entenderem a felicidade como algo que se pode tocar. Ter
o que se quer ter é bom, mas é preciso estar certo do que é bom ter.
Não existe um sentido
claro nas palavras ditas por todos nós, porque nós carregamos sob a língua o
peso do caos e do vento desorganizador em nosso hálito de boca suja, por isso,
justifico nessa altura de meu raciocínio tanta coisa que choveu sobre minha
cabeça e que fui escrevendo, escrevendo, escrevendo e falando dentro de minha
cabeça até chegar aqui, onde cheguei. Talvez em lugar nenhum.
P.S: São Paulo é uma
cidade detestável que subtrai consideravelmente a alegria das “férias”.
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Sobre os professores e a liberdade.
Os professores são pessoas horríveis. Principalmente os do terceiro mundo. Precisam da mesma toxina que é dada às aeromoças para manterem o sorriso durante as longas horas de vôo. É preciso insanidade para aguentar longas jornadas de trabalho sendo justamente aquela pessoa que lhe oprimia quando você era mais jovem, aquele que lhe impedia de conversar com os amigos e não lhe deixava brincar depois que o recreio acabava. É duro conviver consigo mesmo e ainda ter que sobreviver na miséria, e ir ao trabalho sorridente mesmo nos dias de frustração e indiferença. Isso é loucura. E não uma loucura em um bom sentido, no sentido libertador e transgressor. Muito pelo contrário. É uma loucura claustrofóbica em relação à própria vida. Por mais que o professor se afogue na obra do Paulo Freire ele nunca vai deixar de ser um adestrador, alguem que orienta seus alunos nos caminhos que foi orientado à orientá-los. Um professor de uma instituição nunca será alguem que ensina para a liberdade. Não a liberdade bruta e crua. Esta só existe quando é conquistada através da determinação da própria pessoa, e o professor, do modo como vem atuando hoje, só atrapalha esse processo. A educação como um todo, atualmente, é algo frustrante. Não sei se pelo fato de ser subordinada à aprovações em exames de seleção que definem o futuro de jovens que não tem a menor perspectiva do que querem na sua vida, ou se porque responde à um interesse político de desvalorização intelectual da população mais pobre. Dentro dessa lógica, o melhor professor é aquele que mais rápido consegue colocar o aluno em estado de anomia. Quebrando seu espírito e fodendo-lhe a mente. O pior de tudo é ter toda uma formação que lhe ensina a não fazer isso e, mesmo assim, fazê-lo. Principalmente porque é preciso. Ainda pior é saber que você faz isso contra seus princípios, para sobreviver, e sabe que nunca vai fugir desse esquema. É uma profissão de sado-masoquistas, enclausurados em um discurso de que ainda há margem para a emancipação humana através da educação. Um discurso de que a sua vida é um lixo mas eles conseguem levá-la porque são fortes, corajosos e fiéis ao propósito de melhorar a vida de seus alunos. Um discurso de que eles são loucos por escolherem aquela profissão, que só eles aguentariam essa barra, por isso são superiores. E acabam tendo que suprimir suas frustrações com atos de imbecilidade, como comer suas alunas e encher a cara em festas da escola, e tentar aumentar sua auto-estima perante os amigos que tem empregos melhores contando-lhes histórias de como eles mudam a vida de seus alunos. Grande merda. O papel do professor é o mais ingrato possível. Digo do professor de verdade, aquele que realmente muda a vida das pessoas. É o de promover a autonomia. Promover a liberdade. E os professores que fazem isso, verdade seja dita, não estão nas escolas e academias. O professor deve ser aquele que ensina seu aluno a cuspir na sua cara e seguir com a sua vida. Com seus próprios pés.
quarta-feira, 13 de junho de 2012
Pessoal Intransferível, por Torquato Neto.
Escute, meu chapa: um poeta não se faz com versos.
É o risco, é estar sempre a perigo sem medo, é inventar o perigo e estar sempre recriando dificuldades pelo menos maiores, é destruir a linguagem e explodir com ela.
Nada no bolso e nas mãos. Sabendo: perigoso, divino, maravilhoso. Poetar é simples, como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena e etc.
Difícil é não correr com os versos debaixo do braço.
Difícil é não cortar o cabelo quando a barra pesa.
Difícil, pra quem não é poeta, é não trair a sua poesia, que, pensando bem, não é nada, se você está sempre pronto a temer tudo; menos o ridículo de declamar versinhos sorridentes.
E sair por aí, ainda por cima sorridente mestre de cerimônias, "herdeiro" da poesia dos que levaram a coisa até o fim e continuam levando, graças a Deus.
E fique sabendo: quem não se arrisca não pode berrar.
Citação: leve um homem e um boi ao matadouro. O que berrar mais na hora do perigo é o homem, nem que seja o boi.
Adeusão.
terça-feira, 5 de junho de 2012
Sobre a Ruralização do homem moderno.
O século XXI chegou
expressando no seu tempo a dinâmica doentia proposta pelo homem moderno nos
espaços que ele ocupa (principalmente os grandes centros urbanos). Tal dinâmica
se manifesta principalmente através do grande avanço tecnológico e econômico –
não necessariamente nessa ordem – a que nossas sociedades se submeteram, e
quando falo em “sociedade” no plural, eu aponto para a variedade de grupos
existentes nas cidades e suas representações, pondo em evidência as diversas
formas de comportamento existentes e o perigo da falta de diálogo entre elas.
Isso denuncia outro mal dos espaços citadinos, tão presente na mentalidade do
homem moderno, que é a estética “tribal” dos mais diversos grupos sociais que
existem e, dentro de sua existência “coletiva”, acaba por não estabelecer
relações com outros grupos, sendo regidos por práticas intolerantes que
acarreta num isolamento, como ilhas de um arquipélago que não estabelecem
relações entre si. A impressão que se tem é que o homem moderno perdeu o senso
de coletivo e, junto a isso, perdeu tantos outros sensos ligados ao viver
social, como o de família, de solidariedade, de amor e o de pertencimento à
sociedade na qual ele vive.
Pode parecer exagero afirmar
que o homem moderno perdeu a característica da sociabilidade, mas o que se pode
constatar é que, nas grandes cidades, o homem moderno vive para promover o
progresso do Estado e de suas instituições, deixando num plano inferior a
auto-realização e os projetos de vida dele, ligados voluntariamente à todos
aqueles que para ele são importantes. Os homens vivem hoje em suas casas,
verdadeiros universos restritos de sua existência, e fora desse espaço o homem
se torna um mero figurante do progresso e da estrutura física e social da
cidade moderna, assumindo a condição de anônimo dentro da sua realidade, sendo
irrelevante na dinâmica global social, de trocas de experiências e pensamentos.
O tempo se encarregou de
reduzir o homem à condição de máquina, ou de uma coisa qualquer, fria para a
construção de uma identidade coletiva capaz de estruturar com a devida
consistência um determinado grupo de homens habilitados a viver uma experiência
social plena.
Nesse sentido, analisando a
decadência evidente do homem moderno/urbano enquanto ser social, é possível
pensar num possível resgate desse homem através de uma nova tomada de
consciência, capaz de abolir, num primeiro momento, a dinâmica feroz dos
grandes centros. Assim, estabelecendo o caminho da ruralização desse homem,
pode-se possibilitar um estímulo para a sua natureza social, pois se anularmos
o trabalho intenso e exaustivo no qual o homem citadino se submete diariamente,
dando vez ao trabalho coletivo, verdadeiro, com a necessária relação de troca
de experiências, onde a família esteja presente e não haja exploração maldosa
do Estado , a realidade do homem (e dos homens) será alterada, e isso
acarretará na constituição de uma sociedade plena, onde os homens serão de fato
um grupo expressivo, onde a sua natureza social será posta em evidência. Porém,
isso não anula o caráter individual de cada homem, pois cada sujeito representa
uma unidade de práticas e pensamentos, e é justamente esses elementos que, ao
serem somados, constroem a identidade especifica da sociedade.
As cidades adoecem o homem,
o imbeciliza e os torna mesquinhos e perversos. Nas cidades o homem se isolam
cada vez mais nos seus planos individuais de vida e são mecanicamente induzidos
à indiferença no que se refere aos problemas dos outros. O homem que deseja a
liberdade deve se desligar desses modelos de vida e se aventurar numa nova
prática de vida. O homem deve fugir dos grandes centros urbanos em direção ao
campo, aos pampas, ao pantanal, às cordilheiras, ao deserto e à todos os
lugares seguramente distantes da cidade e de sua atmosfera cancerígena, porque
assim o homem encontrará razões mais claras para a sua existência.
Nesse sentido, a teoria da
ruralização do homem moderno (ou o chicobentismo) traz na sua execução a
proposta de uma sociedade igualitária, mas não no aspecto
romântico-utópico-incoerente do sistema socialista e dos modelos de sociedade
teorizado por Marx, mas sim no aspecto puramente de vivência mais intima com os
tantos outros sujeitos sociais em potencial que povoam o mundo.
A ruralização do homem
moderno traz no seu sentido a melhoria da vida do homem no que se refere às
suas vivências com outros sujeitos. Através desse novo modelo de vida, o homem
pode inserir, verdadeiramente, a família e todos aqueles que se ligam por
qualquer espécie de laço (amigos, parceiros, amantes...), observando a
necessidade da presença destes para a construção de uma sociedade saudável (num
ambiente saudável). Isso possibilitará o fim da relação entre pessoas em graus
hierárquicos, além de acabar, através da relação amistosa, com o sentimento
indiferente de coleguismo para com o próximo nos ambientes de trabalho típico
dos grandes centros urbanos.
No campo, a vida pode
oferecer melhores condições de desenvolvimento através do real trabalho
coletivo, onde a comunicação se faz mais possível e mais necessária, tendo em
vista a harmonia da localidade tranquila, tão necessária para os nervos
abalados do homem citadino, que ficou negativamente marcado pelo horror
agressivo dos grandes edifícios, do trânsito caótico (estimulador da violência
gratuita) e das relações doentias entre pessoas desequilibradas emocionalmente
pela grande carga de exaustão, consequência direta do cotidiano intenso da
cidade grande.
Por fim, o abandono da
cidade grande trará ao homem moderno uma grande chance de reiniciar sua vida,
observando a real melhoria de sua existência, melhorando a sua saúde,
proporcionando maiores qualidades nos seus trabalhos e nas suas relações,
ligando-o de maneira mais intensa à sua família e às suas raízes. O homem
encontrará a real felicidade e o sentido claro de sua vida longe das grandes
avenidas, num lugar onde ele estará seguramente amparado e protegido, na
varanda de sua casa, onde ele possa descansar o corpo e o espírito enquanto
observa o fim da tarde sentado em sua cadeira, enquanto ele espera chegar os
primeiros amigos para iniciar as frequentes conversas noturnas, tão comum no
interior, onde ele possa, nas horas de sossego, narrar histórias fantásticas
sobre o folclore local, contribuindo para a preservação e transformação de seus
aspectos culturais, tão forte nas pequenas vilas e povoados espalhados pelo
Brasil. O homem poderá transformar a sua realidade a partir do momento que ele
decidir anular em si a formação imbecilizante da cidade grande, marcada pela
competitividade, pelo egoísmo e pela desonestidade e dar lugar a tudo isso para
a verdadeira comunhão entre os demais homens, onde não haja mais o desgaste
excessivo dos trabalhos intensos da cidade e a odiosa exploração hierárquica
das grandes empresas. Assim, o homem realmente se emancipará da louca dinâmica
urbana e, com o inicio da jornada do homem moderno ruralizado, o mundo se
tornará um lugar melhor para se viver.
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