sexta-feira, 20 de agosto de 2010

A Geração Auêi está aí!


A Geração Auêi está aí!

A Universidade está na merda (literalmente), uma moralidade imunda e falsa toma conta de estudantes, professores e administradores. Hoje, somos bombardeados com a mesmice de sempre, não vemos nada diferente, nada!
E eis que um novo grupo surge na UECE e no mundo. Desprendido de diversos valores consensuais e tentando mostrar algo diferente, eles não querem revoluções, não querem ler poemas sobre armas, não querem se preocupar em assistir aula. Querem simplesmente curtir o mundo de possibilidades que esse espaço pode nos proporcionar.
Conversam sobre qualquer coisa, estão tranqüilos em relação à vida (quase sempre), estão por dentro das coisas, mas não são esnobes, sabem da importância do saber fora da sala de aula.
Têm como heróis culturais pessoas como Tom Zé, Caetano Veloso, Jack Kerouac, Freddy Krueger, Novos Baianos, Banda dos Meninos, Luiz Gomes, eles são bem do gênero Ronald Rodrigues.
Eles vierem com um sentimento dúbio de desilusão com as mesmas merdas que vinham desde sempre e com o sentimento da esperança que é possível oferecer alternativas. Eles perceberam que não é necessário ajuda de instituições, eles ficaram com vontade e escreveram coisas diferentes, fizeram coisas diferentes e ao mesmo tempo mandaram todos irem tomar no cu! Provaram que é possível sim um grupo de amigos que não querem nada com a vida se juntar e procurarem um pouco mais de diversão, e porque não procurar essa diversão dentro do espaço que eles mais freqüentam?
Eles falam de musica, poesias, bebidas em geral, professores escrotos, mais música, filmes trash e de sacanagem e não sentem necessidade de se achar o máximo por causa disso (não há necessidade).
Eles não querem exatamente acabar com essa caretice e mesmice que dominam o espaço da universidade (mesmo porque para isso seria preciso muita disposição e esforço, e eles não estão dispostos a isso), querem apenas dar uma alternativa á isso tudo.
E não cabe a você aprová-los ou não, porque eles já se infiltraram no seu meio, estão logo atrás de você e cospem e cagam e vomitam as idéias mais loucas, incoerentes e absurdas, mas que carregam uma força inigualável.
Eis a Geração AUÊI!

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Professor: Figura divina?

É terrível observar como vivemos num ambiente pretensamente esclarecedor (a universidade) e nos deparamos com personagens que, teoricamente, deveriam representar um signo de educação e apoio. Porém, é vendo e tomando conhecimento de determinados comportamentos que a revolta e tristeza correm por essas linhas.
Até onde vai nossa humanidade? Será que somos comuns nesse aspecto humano, ou será que os professores se reconhecem como figuras divinas e intocáveis? A duvida fica na minha cabeça, não por questões de interesses pessoais ou coisa parecida (o que é muito presente na UECE), mas porque as coisas acabam se revelando a partir das expressões e posições destes diante de alguns alunos (é importante que destaque a palavra “alguns”).
Até onde vai a humanidade de um professor? Onde termina sua condição humana? Onde se inicia a sua condição divina? Seria o professor um ser além da figura humilde e amadora do estudante? Estas são, para mim, questões que, por mais que pareçam absurdas e carregadas de ignorância e imbecilidade, se faz, a cada dia, mais presente e pesada no cotidiano universitário.
Através desse texto, não pretendo ser injusto com alguns professores, chego a reconhecer nessa profissão muito amor e aplicação, além de tantos outros valores e muita dedicação, porém, devo dizer, infelizmente, que tais qualidades partem de poucos.
Por outro lado, é triste o sentimento de frustração e a falta de confiança em se entregar nas mãos dessas pessoas, que chegam a praticar atentados absurdos contra alguns, através de avaliações viciadas, injustas e vingativas, além de se valer irresponsavelmente do poder (divino) que pairam sobre a cabeça desprotegida de alguns alunos.
Professores animalescos, que assumem inumeras máscaras e dividem suas vidas. Professores personagens, assumidamente indiferente às necessidades de alguns alunos e aplicados nos interesses e desejos de outros. É por ver as coisas dessa maneira, e de forma tão abundante que eu fico triste, porque cada indiferença é um tiro, um corte, uma tormenta na vida de qualquer estudante de bom senso. Porque a critica vai além da revolta, ela vai buscar a essência do homem e suas qualidades necessárias, mas nem por isso manifestada ou compartilhada entre os seus semelhantes.
Professores que negam auxilio aos necessitados, que rejeitam o desespero de alguns e que busca, a todo custo, o sucesso para outros. Professores que dividem relações e, ao mesmo tempo, confundem afetos e afinidades, claro, lembrando que isso é contra alguns e a favor de outros. E assim caminha nossa construção educacional no espaço acadêmico, onde a ética se faz escassa e a simples solidariedade se faz negada e ignorada.
Por fim, não pretendo atingir, com esse texto, a imagem dos professores, mas sim a imagem das pessoas que se fantasiam de professores nas horas de ócio e acabam lançando a beleza do educador na lama do egoísmo.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os meus amigos são um barato (Para o Lucas, Neto, Magão, Camila e tantos outros)


Os meus amigos são um barato, e estou convencido de que sem eles eu não seria ninguém. São eles que voam feito aves livres por dentro de minhas veias e que brotam feito vida rica por entre meus dedos aplicados nos melhores carinhos.
São eles os meus amigos, e são tantos os que riem da alegria multiplicada e igualmente dividida. Eles me encorajam, me impulsionam, me apóiam e me convencem das melhores coisas. São eles cada amor, cada brilho e beleza dos destinos variantes de nossas vidas. E é assim que reconheço em minha alma cada gota oceânica da bruta e fina presença de meus amigos.
São eles os meus amigos, cada rosto intimo de abraços carinhosos, cada gole grosso da seiva saudável de risos e força que me contagia pela via natural dos dias. São tão amigos, tão queridos que acabam impregnando minhas páginas brancas de belas histórias cravadas em meu couro feito tatuagem ou como uma bela renda que cai sobre meu rosto e que enfeita minhas mãos com belos bordados, onde nossa história é traçada por pontos e nós de firmeza, apego e zelo.
São eles os meus amigos, tão fortes e tão frágeis na sua doçura, são pedras na necessidade e brisa na companhia, todos os gritos são para a paz, para a calma e todo frio é para desejar o calor, mais do que isso, são eles tudo o que me faltar, são eles o excesso do que eu mais preciso, são eles o ouro livre da cobiça malvada e que decora coroas e jóias de simples olhares.
São eles os meus amigos, tão amigos e tão queridos nas suas simples presenças que enchem a mesa de graça e calma, cada qual na sua devida importância, são eles cada estrela do céu em suas luzes particulares, mas que se fazem desinteressantes na solidão, porque amizade é somar, é ser mais que um e é, por isso, uma corrente que resiste a qualquer abalo investido por infelizes vazios.
São eles os meus amigos, bondosos nos seus olhares e iluminados nas suas palavras, sábios nos seus passos e pacientes nos desvios dos seus, felizes no decorrer das horas e apaixonados em suas intenções, são muitos os meus amigos, e são muito maiores os seus corações, e, por isso e muito mais que eu não esqueço o quanto que os meus amigos são um barato.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Havia uma pedra no caminho (Viagem AUÊI)



Fim de festa e todos os farristas seguem para suas casas, porém, o último núcleo auêi permanece firme em Palmácia. Assim iniciou a nossa nova epopéia.
Após três dias de muita aueizagem, Netin, Pedim, Gegê e eu pegamos nossos “panos de bunda” e seguimos rumo a Fortaleza. Mal sabíamos o que nos aguardava...
Tudo começa quando sairmos da casa da avó “poderosa chefona” do Pedim. Após merendar na cada dela, executamos o “efeito muriçoca” (barriga cheia e pé na estrada). Já no “Magão Móvel” (entenda como referente ao carro do Pedim), começamos a pegar aquela estrada filha da puta, cheia de buracos, pedras soltas, abismos e muita poeira. E o Pedim, acaralhado do jeito que só ele sabe ser, começou a descer a serra a 300 km por hora. Foi muita adrenalina num ritmo de azaração e pegação, quando de repente o carro passa por cima de um aerólito chibatoso que arrebenta a mangueira da gasolina, impestando o carro com aquele cheiro lombrante, viciante, entorpecente e delicioso de combustível que suamos muito para arrecadar grana para abastecer.
O “prego” naquele momento era evidente. Ficamos ali, vendo a gasolina escorrer em centavos liquidos, e como toda caravana no prego, acabamos ficando ali, vadiando, sem saber o que fazer. Aí surgiu a idéia: Um de nós tinha que voltar a Palmácia e pedir ajuda a família do Pedim, o critério para a seleção foi: Vai quem sempre acaba se fudendo.
E eu fui, pois só eu que atendia a esse critério.
Decidimos pedir carona ao primeiro caminhão que vimos passar. Quando o caminhão parou o Pedim encostou na porta do motorista, todo cheio de luxo, poder e sedução (como ele fazia nos pedágios) e disse:
- Eeeerrrrr, com licença, meu nobre e distinto senhor caminhoneiro, é que nós estamos aqui, no meio desta via, passando por fortes adversidades mecânicas e, por esta razão, eu peço, por obséquio, que o senhor leve este jovem rapaz (apontando pra mim) para Palmácia, para que ele nos traga socorro e nos salve do perigo evidente de estar só nesta estrada nefasta.
Aí o caminhoneiro respondeu:
-Tá, “bora” lá, manda ele “atrepar” na carroceria que “nóis tá cum” pressa.
Aí ao tinha jeito, eu subi naquela porra cheio de pedra e me acomodei da forma mais desacomodante possível, junto com dois peões filhos da puta com a maior cara de punheteiros. Seguimos viagem até determinado ponto, quando o cara pára e manda eu descer. Ele diz que não vai mais seguir até Palmácia e me arrumou, por isso, um mototáxi.
Peguei o Mototáxi e cheguei na casa da avó do Pedim “sem lenço e sem documento”, aplicando logo uma “facada” violenta nela (R$ 2,00 pro mototáxi). E após explicar tudo o que aconteceu e ela ter comunicado o ocorrido ao prestativo tio dele, eu aguardei um tempão enquanto era providenciado o carro para rebocar o “Magão Móvel”. Após conseguir o carro, seguimos ao local onde a fatalidade tinha acontecido. Chegando lá, morto de cansado, preocupado, tenso e nervoso, eu encontro os três fuleragens na maior farra lá, ouvindo musica, cantando, tocando violão e gravando videozinhos medíocres com canções improvisadas que ofendiam a mim e a minha santa mãezinha.
Bem, aquilo foi a gota d’àgua pra mim. Eu, todo mazelado, sequelado e leproso da viagem em caminhão, moto, da espera pelo socorro e pela volta com duas figuras super esquisitas, me deparo com esses porras na maior alegria, como se aquilo fosse a extensão da farra que fizemos no final de semana. Aí não teve jeito, mandei todos tomarem no cu e esmoreci com meu cansaço solidário a quem não merecia.
Por fim, o carro realmente não teve jeito, porque Palmácia é o cu do mundo onde não vende nem mangueira de gasolina, sendo que, até essa data, o carro deve tá lá, na frente da casa da avó dele e nós, coitados, acabamos esperando o ônibus até as 17:00h aproximadamente, num tédio do tamanho do bucho da Quilôa. Voltamos no ônibus em pé, cheio de gente feia e com uma catinga enlouquecedora de vômito (o infeliz que provocou deve ter se entupido de Cheetos). Mas, mesmo com todas esses obstáculos, hoje vemos aquela situação toda de forma engraçada, não interessando os efeitos que aquilo causou no carro, na gente ou nos outros coadjuvantes dessa história, afinal, aprendemos na serra de Palmácia que cada um sabe de si.

Obs sobre a foto: Pedim, viado safado, posando todo serelepe na porra do carro no prego naquela estrada maldita enquanto eu tava sofrendo no lombo de um caminhão.

domingo, 28 de março de 2010

O Leite e a Pera: o cotidiano de um estudante perseguido pelo academicismo.




Era um jovem comum, como todos os outros. Aliás, ser comum dentro de um ambiente tão heterogêneo como o que ele se encontrava era bastante diferente, então não podemos dizer que era como todos os outros, e sim somente um jovem comum. Gostava de chegar cedo, conversar com os amigos, prestar atenção na aula e estudar bastante. Na verdade, no meio universitário poucas pessoas eram como ele devido sua dedicação aos estudos. Tal estereótipo se tornou tão raro hoje em dia que acabou migrando da regra pra exceção. Era um estudante do curso de História da UECE que sempre gostou do que fazia e nunca ofendeu ninguém, era bem comportado e pretendia seguir carreira nessa área que tanto adorava. E por ser tão normal, acabou sendo bem diferente dos outros, podendo até ser enquadrado como uma exceção em seu contexto.
O cotidiano de nosso protagonista na ambiência do bloco H oscilava entre momentos tranqüilos e experiências conturbadas devido a algumas hipocrisias bastante presentes naquela sociabilidade acadêmica, e, é bom dizer, por conta da atitude de certos professores que, em certos momentos, tinham a necessidade de exercer uma pretensa superioridade sobre tudo e todos. Mesmo com tudo isso, nosso estudante conseguia perceber as coisas de maneira distinta de seus colegas em relação às praticas acadêmicas de seu curso. Enquanto todos consideravam essa práticas normais e até corriqueiras, ele resguardava sua própria cosmovisão. O diferencial é que nosso protagonista era capaz de perceber, através da relação existente entre certos professores e alunos, uma certa circularidade de concessões que favoreciam ambos e perpetuavam um sistema deturpado de sociabilidade acadêmica que ele repudiava. Nesse modelo, o prestígio acadêmico era cedido do professor ao aluno se este cedesse sua adequação à certas exigências no que diz respeito à “responsabilidades acadêmicas” que na maioria das vezes, nem mesmo o próprio docente seguia. O prestígio acadêmico, nesse sentido, se dava através de avaliações mais “sensíveis” de provas, preferência em oportunidades de bolsas e etc. Daí a noção de circularidade concessiva, onde o aluno cedia sua obediência e o professor cedia sua preferência. Por sua cosmovisão bastante polêmica daquelas práticas, o estudante passou a ser muito perseguido. Para ele, era inconcebível que o aluno aceitasse certos acontecimentos revoltantes no meio universitário somente por considerar mais cômodo não ocasionar um enfrentamento direto com seus os professores, preferindo sentar em seu prestígio acadêmico tomando leite com pêra.
Esta análise nos leva a entender que, mesmo nesse contexto onde predominava uma noção de que a experiência na academia deva ser regrada, não pela meritocracia, e sim por valores que não tem nada a ver, havia uma exceção que ousava pensar de outro modo. Ou seja, uma vanguarda Auei que buscava romper com o academicismo instaurado.

sábado, 20 de março de 2010

Consumo jovem e Status.




“Você não é o carro que você anda, ou a roupa que usa...”, frase do Clube da Luta, que eu lembrei hoje quando olhei uma foto desse filme. Porque as pessoas se deixam escravizar por essa questão de status, como que uma aparentemente inofensiva posse pode manter o indivíduo completamente dominado e alienado em relação a isso? Invertem-se os valores, o individuo torna-se a posse de determinado objeto, o carro, a roupa, o tênis, o relógio, o perfume, a casa... E por aí vai. A vontade de ser visto hoje leva muitas pessoas, principalmente os jovens, a gastar muito dinheiro com roupa, carro, som do carro, festas caras em que vai usar as roupas caras, no fim são seres superficiais.
Esses jovens ainda estão bastante presos nesse mundo leite-com-pêra, presos a essa vontade de freqüentar lugares em que todos vão (que também é uma forma de consumo, pois depois de consumido aquele lugar, já se busca outro para ir) apenas para mostrar que estão na ultima tendência da moda, que tem um novo tênis, um novo carro, para provar que podem comprar Uísque caro. Alguns dizem que esses jovens compram roupas caras para se sentir bem, mas pesquisando sobre esse tema, encontrei em fóruns de discussão, essas pessoas acham que se vestir bem para eles é apenas a opinião dos outros em relação ao que eles estão usando, “vou para uma festa com essa blusa por que ela chama a atenção.”, infelizmente grande parte da juventude hoje está presa a essa ostentação que muitos não conseguem manter, são bastante endividados, mas não se controlam, e continuam consumindo como loucos e se virando para pagar as contas, vou ficar mais tranqüilo quando as pessoas perguntarem a si antes de fazer as compras se precisam mesmo possuir aquilo e se aquela determinada posse vai fazê-los crescer em algo, ou se estão apenas em busca de status.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Artigo Auei - Uma análise histórica da formação do Auei-ismo. (Continuação)

Peço desculpas pela demora de publicar esta continuação, e também pelo longo período de afastamento de meus compromissos enquanto praticante da doutrina Auei. Na verdade o que aconteceu é que eu acabei esquecendo de postar o resto desse texto e só me lembrei agora. Enfim, deleitem-se.

O Movimento Auei: A Revolução na Práxis Acadêmica.

Por: Bruno Rodrigues Costa.

Parte III: Dos valores que tem tudo a ver

O que significam os valores que tem tudo a ver? Quais são as inovações no modo de fazer a vida universitária dentro do Auei-ismo? Já que o academicismo era tão criticado, o que o Movimento Auei propõe? O pensamento Auei, e sua nova maneira de pensar a sociedade a partir dos valores que tem tudo a ver, será revolucionário, pois irá defender uma sociedade que reconheça a sua consciência desajustada, suas próprias contradições. O projeto do Movimento Auei é de uma reinterpretação dos valores da modernidade, reconhecendo os “pinos redondos nos buracos quadrados”1 da civilização atual e como eles representam a verdadeira força motriz da história. Defende o fim de uma convivência autodestrutiva e a conscientização das pessoas de que, segundo Ronald Rodrigues, “nós somos seres indivíduo-coletivos e precisamos apenas reconhecer essa nossa natureza para podermos viver de maneira Auei.”2, devemos formar valores políticos, acadêmicos e culturais que contemplem tanto o indivíduo quanto a coletividade, uma articulação das micro com as macro-felicidades, de modo que todos possam viver bem, conviver livres e gritar Auei!
No âmbito da UECE, o Movimento Auei vai romper com a hipocrisia do academicismo e criar um novo paradigma de experimentação do curso através da doutrina da não-separação do binômio pensamento-comportamento. Os Auei-istas pretendem transformar o cotidiano da vida universitária sendo contrários ao esquema pedagógico unilateral de cima pra baixo vigente e mostrando à todos que a universidade é um espaço de experimentação e produção de saber diferenciado com possibilidades imensas!

Parte IV: Do Auei total ao Auei em migalhas.

O que se entende por Auei total, é a perspectiva de pensar o auei-ismo dentro do conjunto de práticas que remetem aos valores que tem tudo a ver, sem dissociá-las de um quadro mais abrangente de paradigmas auei-ísticos. Ou seja, o auei-ismo totalizante só se dá dentro de um entendimento de que não se pode aderir ao conjunto de idéias e práticas aueis somente nos momentos convenientes, e sim, deve-se permanecer atuando, seja produzindo intelectualmente ou em suas práticas cotidianas, seguindo uma linha de raciocínio de ruptura com os valores que não tem nada a ver, e mantendo uma coerência entre o seu discurso e o verdadeiramente cumprido. Não se enquadra na perspectiva totalizante do auei-ísmo aquele que se diz distante dos valores academicistas ultrapassados e de toda a podridão de hipocrisia que ronda os corredores universitários, e, na primeira ocasião, se curva diante dos doutores que vomitam a alcunha da mediocridade em cima dos alunos a todo momento, em troca de uma futura possibilidade de financiamento ou até de um falso prestígio acadêmico. Algo que é discutido por Germano “Magão” em sua conceituação de Prostituição Acadêmica. Para o auei-ísmo totalizante, é preciso ser íntegro em relação à manutenção de suas práticas aueis em seu cotidiano. Porém, é importante entender que vivemos em uma sociabilidade acadêmica que é bastante comprometida para os valores que tem tudo a ver, e que se baseia em disputas selvagens por prestígio acadêmico longe de serem meritocráticas, o que torna complicado a vida do praticante do auei-ísmo. É possível sobreviver dentro deste meio mantendo suas práticas de contestação, sendo que, para isso, é necessário bastante confiança e integridade, qualidades que vem se perdendo cada vez mais.
O que se percebe nos dias de hoje é uma verdadeira pulverização do espírito Auei no âmbito de sua propagação e manutenção cotidiana. A partir do momento em que são deixadas de lado convicções ideológicas sobre o academicismo para se encaixar nos moldes requeridos pelos mesmos doutores que lhe chamam de medíocre, o auei-ísmo vai se partindo e se esmigalhando. Daí a conceituação de Auei-ísmo em Migalhas, por não ter perspectiva totalizante e ser fragmentado no âmbito das práticas rotineiras. Este modo de conceber o auei-ísmo faz com que se torne aceitável perceber a hipocrisia academicista do dia-a-dia, através de uma releitura dos paradigmas da contemporaneidade pelo viés dos valores que tem tudo a ver, e atuar de maneira contestadora somente quando for conveniente, em práticas aueis dissociadas do ideário maior do auei-ísmo. Torna possível, também, uma apropriação, por parte de seus ditos seguidores, somente de aspectos da doutrina Auei que não entrem em confronto com a comodidade do academicismo. Algo que carece de ser refletido.
O que se entende então é que este rumo que toma o pensamento Auei, à uma cada vez maior fragmentação de sua doutrina, é perigoso, e deve ser analisado de maneira mais profunda para que se chegue a uma solução. Talvez um combate à uma tendência leite-com-perista ou até uma releitura do próprio Auei-ísmo.