quinta-feira, 15 de julho de 2010

Os meus amigos são um barato (Para o Lucas, Neto, Magão, Camila e tantos outros)


Os meus amigos são um barato, e estou convencido de que sem eles eu não seria ninguém. São eles que voam feito aves livres por dentro de minhas veias e que brotam feito vida rica por entre meus dedos aplicados nos melhores carinhos.
São eles os meus amigos, e são tantos os que riem da alegria multiplicada e igualmente dividida. Eles me encorajam, me impulsionam, me apóiam e me convencem das melhores coisas. São eles cada amor, cada brilho e beleza dos destinos variantes de nossas vidas. E é assim que reconheço em minha alma cada gota oceânica da bruta e fina presença de meus amigos.
São eles os meus amigos, cada rosto intimo de abraços carinhosos, cada gole grosso da seiva saudável de risos e força que me contagia pela via natural dos dias. São tão amigos, tão queridos que acabam impregnando minhas páginas brancas de belas histórias cravadas em meu couro feito tatuagem ou como uma bela renda que cai sobre meu rosto e que enfeita minhas mãos com belos bordados, onde nossa história é traçada por pontos e nós de firmeza, apego e zelo.
São eles os meus amigos, tão fortes e tão frágeis na sua doçura, são pedras na necessidade e brisa na companhia, todos os gritos são para a paz, para a calma e todo frio é para desejar o calor, mais do que isso, são eles tudo o que me faltar, são eles o excesso do que eu mais preciso, são eles o ouro livre da cobiça malvada e que decora coroas e jóias de simples olhares.
São eles os meus amigos, tão amigos e tão queridos nas suas simples presenças que enchem a mesa de graça e calma, cada qual na sua devida importância, são eles cada estrela do céu em suas luzes particulares, mas que se fazem desinteressantes na solidão, porque amizade é somar, é ser mais que um e é, por isso, uma corrente que resiste a qualquer abalo investido por infelizes vazios.
São eles os meus amigos, bondosos nos seus olhares e iluminados nas suas palavras, sábios nos seus passos e pacientes nos desvios dos seus, felizes no decorrer das horas e apaixonados em suas intenções, são muitos os meus amigos, e são muito maiores os seus corações, e, por isso e muito mais que eu não esqueço o quanto que os meus amigos são um barato.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Havia uma pedra no caminho (Viagem AUÊI)



Fim de festa e todos os farristas seguem para suas casas, porém, o último núcleo auêi permanece firme em Palmácia. Assim iniciou a nossa nova epopéia.
Após três dias de muita aueizagem, Netin, Pedim, Gegê e eu pegamos nossos “panos de bunda” e seguimos rumo a Fortaleza. Mal sabíamos o que nos aguardava...
Tudo começa quando sairmos da casa da avó “poderosa chefona” do Pedim. Após merendar na cada dela, executamos o “efeito muriçoca” (barriga cheia e pé na estrada). Já no “Magão Móvel” (entenda como referente ao carro do Pedim), começamos a pegar aquela estrada filha da puta, cheia de buracos, pedras soltas, abismos e muita poeira. E o Pedim, acaralhado do jeito que só ele sabe ser, começou a descer a serra a 300 km por hora. Foi muita adrenalina num ritmo de azaração e pegação, quando de repente o carro passa por cima de um aerólito chibatoso que arrebenta a mangueira da gasolina, impestando o carro com aquele cheiro lombrante, viciante, entorpecente e delicioso de combustível que suamos muito para arrecadar grana para abastecer.
O “prego” naquele momento era evidente. Ficamos ali, vendo a gasolina escorrer em centavos liquidos, e como toda caravana no prego, acabamos ficando ali, vadiando, sem saber o que fazer. Aí surgiu a idéia: Um de nós tinha que voltar a Palmácia e pedir ajuda a família do Pedim, o critério para a seleção foi: Vai quem sempre acaba se fudendo.
E eu fui, pois só eu que atendia a esse critério.
Decidimos pedir carona ao primeiro caminhão que vimos passar. Quando o caminhão parou o Pedim encostou na porta do motorista, todo cheio de luxo, poder e sedução (como ele fazia nos pedágios) e disse:
- Eeeerrrrr, com licença, meu nobre e distinto senhor caminhoneiro, é que nós estamos aqui, no meio desta via, passando por fortes adversidades mecânicas e, por esta razão, eu peço, por obséquio, que o senhor leve este jovem rapaz (apontando pra mim) para Palmácia, para que ele nos traga socorro e nos salve do perigo evidente de estar só nesta estrada nefasta.
Aí o caminhoneiro respondeu:
-Tá, “bora” lá, manda ele “atrepar” na carroceria que “nóis tá cum” pressa.
Aí ao tinha jeito, eu subi naquela porra cheio de pedra e me acomodei da forma mais desacomodante possível, junto com dois peões filhos da puta com a maior cara de punheteiros. Seguimos viagem até determinado ponto, quando o cara pára e manda eu descer. Ele diz que não vai mais seguir até Palmácia e me arrumou, por isso, um mototáxi.
Peguei o Mototáxi e cheguei na casa da avó do Pedim “sem lenço e sem documento”, aplicando logo uma “facada” violenta nela (R$ 2,00 pro mototáxi). E após explicar tudo o que aconteceu e ela ter comunicado o ocorrido ao prestativo tio dele, eu aguardei um tempão enquanto era providenciado o carro para rebocar o “Magão Móvel”. Após conseguir o carro, seguimos ao local onde a fatalidade tinha acontecido. Chegando lá, morto de cansado, preocupado, tenso e nervoso, eu encontro os três fuleragens na maior farra lá, ouvindo musica, cantando, tocando violão e gravando videozinhos medíocres com canções improvisadas que ofendiam a mim e a minha santa mãezinha.
Bem, aquilo foi a gota d’àgua pra mim. Eu, todo mazelado, sequelado e leproso da viagem em caminhão, moto, da espera pelo socorro e pela volta com duas figuras super esquisitas, me deparo com esses porras na maior alegria, como se aquilo fosse a extensão da farra que fizemos no final de semana. Aí não teve jeito, mandei todos tomarem no cu e esmoreci com meu cansaço solidário a quem não merecia.
Por fim, o carro realmente não teve jeito, porque Palmácia é o cu do mundo onde não vende nem mangueira de gasolina, sendo que, até essa data, o carro deve tá lá, na frente da casa da avó dele e nós, coitados, acabamos esperando o ônibus até as 17:00h aproximadamente, num tédio do tamanho do bucho da Quilôa. Voltamos no ônibus em pé, cheio de gente feia e com uma catinga enlouquecedora de vômito (o infeliz que provocou deve ter se entupido de Cheetos). Mas, mesmo com todas esses obstáculos, hoje vemos aquela situação toda de forma engraçada, não interessando os efeitos que aquilo causou no carro, na gente ou nos outros coadjuvantes dessa história, afinal, aprendemos na serra de Palmácia que cada um sabe de si.

Obs sobre a foto: Pedim, viado safado, posando todo serelepe na porra do carro no prego naquela estrada maldita enquanto eu tava sofrendo no lombo de um caminhão.

domingo, 28 de março de 2010

O Leite e a Pera: o cotidiano de um estudante perseguido pelo academicismo.




Era um jovem comum, como todos os outros. Aliás, ser comum dentro de um ambiente tão heterogêneo como o que ele se encontrava era bastante diferente, então não podemos dizer que era como todos os outros, e sim somente um jovem comum. Gostava de chegar cedo, conversar com os amigos, prestar atenção na aula e estudar bastante. Na verdade, no meio universitário poucas pessoas eram como ele devido sua dedicação aos estudos. Tal estereótipo se tornou tão raro hoje em dia que acabou migrando da regra pra exceção. Era um estudante do curso de História da UECE que sempre gostou do que fazia e nunca ofendeu ninguém, era bem comportado e pretendia seguir carreira nessa área que tanto adorava. E por ser tão normal, acabou sendo bem diferente dos outros, podendo até ser enquadrado como uma exceção em seu contexto.
O cotidiano de nosso protagonista na ambiência do bloco H oscilava entre momentos tranqüilos e experiências conturbadas devido a algumas hipocrisias bastante presentes naquela sociabilidade acadêmica, e, é bom dizer, por conta da atitude de certos professores que, em certos momentos, tinham a necessidade de exercer uma pretensa superioridade sobre tudo e todos. Mesmo com tudo isso, nosso estudante conseguia perceber as coisas de maneira distinta de seus colegas em relação às praticas acadêmicas de seu curso. Enquanto todos consideravam essa práticas normais e até corriqueiras, ele resguardava sua própria cosmovisão. O diferencial é que nosso protagonista era capaz de perceber, através da relação existente entre certos professores e alunos, uma certa circularidade de concessões que favoreciam ambos e perpetuavam um sistema deturpado de sociabilidade acadêmica que ele repudiava. Nesse modelo, o prestígio acadêmico era cedido do professor ao aluno se este cedesse sua adequação à certas exigências no que diz respeito à “responsabilidades acadêmicas” que na maioria das vezes, nem mesmo o próprio docente seguia. O prestígio acadêmico, nesse sentido, se dava através de avaliações mais “sensíveis” de provas, preferência em oportunidades de bolsas e etc. Daí a noção de circularidade concessiva, onde o aluno cedia sua obediência e o professor cedia sua preferência. Por sua cosmovisão bastante polêmica daquelas práticas, o estudante passou a ser muito perseguido. Para ele, era inconcebível que o aluno aceitasse certos acontecimentos revoltantes no meio universitário somente por considerar mais cômodo não ocasionar um enfrentamento direto com seus os professores, preferindo sentar em seu prestígio acadêmico tomando leite com pêra.
Esta análise nos leva a entender que, mesmo nesse contexto onde predominava uma noção de que a experiência na academia deva ser regrada, não pela meritocracia, e sim por valores que não tem nada a ver, havia uma exceção que ousava pensar de outro modo. Ou seja, uma vanguarda Auei que buscava romper com o academicismo instaurado.

sábado, 20 de março de 2010

Consumo jovem e Status.




“Você não é o carro que você anda, ou a roupa que usa...”, frase do Clube da Luta, que eu lembrei hoje quando olhei uma foto desse filme. Porque as pessoas se deixam escravizar por essa questão de status, como que uma aparentemente inofensiva posse pode manter o indivíduo completamente dominado e alienado em relação a isso? Invertem-se os valores, o individuo torna-se a posse de determinado objeto, o carro, a roupa, o tênis, o relógio, o perfume, a casa... E por aí vai. A vontade de ser visto hoje leva muitas pessoas, principalmente os jovens, a gastar muito dinheiro com roupa, carro, som do carro, festas caras em que vai usar as roupas caras, no fim são seres superficiais.
Esses jovens ainda estão bastante presos nesse mundo leite-com-pêra, presos a essa vontade de freqüentar lugares em que todos vão (que também é uma forma de consumo, pois depois de consumido aquele lugar, já se busca outro para ir) apenas para mostrar que estão na ultima tendência da moda, que tem um novo tênis, um novo carro, para provar que podem comprar Uísque caro. Alguns dizem que esses jovens compram roupas caras para se sentir bem, mas pesquisando sobre esse tema, encontrei em fóruns de discussão, essas pessoas acham que se vestir bem para eles é apenas a opinião dos outros em relação ao que eles estão usando, “vou para uma festa com essa blusa por que ela chama a atenção.”, infelizmente grande parte da juventude hoje está presa a essa ostentação que muitos não conseguem manter, são bastante endividados, mas não se controlam, e continuam consumindo como loucos e se virando para pagar as contas, vou ficar mais tranqüilo quando as pessoas perguntarem a si antes de fazer as compras se precisam mesmo possuir aquilo e se aquela determinada posse vai fazê-los crescer em algo, ou se estão apenas em busca de status.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Artigo Auei - Uma análise histórica da formação do Auei-ismo. (Continuação)

Peço desculpas pela demora de publicar esta continuação, e também pelo longo período de afastamento de meus compromissos enquanto praticante da doutrina Auei. Na verdade o que aconteceu é que eu acabei esquecendo de postar o resto desse texto e só me lembrei agora. Enfim, deleitem-se.

O Movimento Auei: A Revolução na Práxis Acadêmica.

Por: Bruno Rodrigues Costa.

Parte III: Dos valores que tem tudo a ver

O que significam os valores que tem tudo a ver? Quais são as inovações no modo de fazer a vida universitária dentro do Auei-ismo? Já que o academicismo era tão criticado, o que o Movimento Auei propõe? O pensamento Auei, e sua nova maneira de pensar a sociedade a partir dos valores que tem tudo a ver, será revolucionário, pois irá defender uma sociedade que reconheça a sua consciência desajustada, suas próprias contradições. O projeto do Movimento Auei é de uma reinterpretação dos valores da modernidade, reconhecendo os “pinos redondos nos buracos quadrados”1 da civilização atual e como eles representam a verdadeira força motriz da história. Defende o fim de uma convivência autodestrutiva e a conscientização das pessoas de que, segundo Ronald Rodrigues, “nós somos seres indivíduo-coletivos e precisamos apenas reconhecer essa nossa natureza para podermos viver de maneira Auei.”2, devemos formar valores políticos, acadêmicos e culturais que contemplem tanto o indivíduo quanto a coletividade, uma articulação das micro com as macro-felicidades, de modo que todos possam viver bem, conviver livres e gritar Auei!
No âmbito da UECE, o Movimento Auei vai romper com a hipocrisia do academicismo e criar um novo paradigma de experimentação do curso através da doutrina da não-separação do binômio pensamento-comportamento. Os Auei-istas pretendem transformar o cotidiano da vida universitária sendo contrários ao esquema pedagógico unilateral de cima pra baixo vigente e mostrando à todos que a universidade é um espaço de experimentação e produção de saber diferenciado com possibilidades imensas!

Parte IV: Do Auei total ao Auei em migalhas.

O que se entende por Auei total, é a perspectiva de pensar o auei-ismo dentro do conjunto de práticas que remetem aos valores que tem tudo a ver, sem dissociá-las de um quadro mais abrangente de paradigmas auei-ísticos. Ou seja, o auei-ismo totalizante só se dá dentro de um entendimento de que não se pode aderir ao conjunto de idéias e práticas aueis somente nos momentos convenientes, e sim, deve-se permanecer atuando, seja produzindo intelectualmente ou em suas práticas cotidianas, seguindo uma linha de raciocínio de ruptura com os valores que não tem nada a ver, e mantendo uma coerência entre o seu discurso e o verdadeiramente cumprido. Não se enquadra na perspectiva totalizante do auei-ísmo aquele que se diz distante dos valores academicistas ultrapassados e de toda a podridão de hipocrisia que ronda os corredores universitários, e, na primeira ocasião, se curva diante dos doutores que vomitam a alcunha da mediocridade em cima dos alunos a todo momento, em troca de uma futura possibilidade de financiamento ou até de um falso prestígio acadêmico. Algo que é discutido por Germano “Magão” em sua conceituação de Prostituição Acadêmica. Para o auei-ísmo totalizante, é preciso ser íntegro em relação à manutenção de suas práticas aueis em seu cotidiano. Porém, é importante entender que vivemos em uma sociabilidade acadêmica que é bastante comprometida para os valores que tem tudo a ver, e que se baseia em disputas selvagens por prestígio acadêmico longe de serem meritocráticas, o que torna complicado a vida do praticante do auei-ísmo. É possível sobreviver dentro deste meio mantendo suas práticas de contestação, sendo que, para isso, é necessário bastante confiança e integridade, qualidades que vem se perdendo cada vez mais.
O que se percebe nos dias de hoje é uma verdadeira pulverização do espírito Auei no âmbito de sua propagação e manutenção cotidiana. A partir do momento em que são deixadas de lado convicções ideológicas sobre o academicismo para se encaixar nos moldes requeridos pelos mesmos doutores que lhe chamam de medíocre, o auei-ísmo vai se partindo e se esmigalhando. Daí a conceituação de Auei-ísmo em Migalhas, por não ter perspectiva totalizante e ser fragmentado no âmbito das práticas rotineiras. Este modo de conceber o auei-ísmo faz com que se torne aceitável perceber a hipocrisia academicista do dia-a-dia, através de uma releitura dos paradigmas da contemporaneidade pelo viés dos valores que tem tudo a ver, e atuar de maneira contestadora somente quando for conveniente, em práticas aueis dissociadas do ideário maior do auei-ísmo. Torna possível, também, uma apropriação, por parte de seus ditos seguidores, somente de aspectos da doutrina Auei que não entrem em confronto com a comodidade do academicismo. Algo que carece de ser refletido.
O que se entende então é que este rumo que toma o pensamento Auei, à uma cada vez maior fragmentação de sua doutrina, é perigoso, e deve ser analisado de maneira mais profunda para que se chegue a uma solução. Talvez um combate à uma tendência leite-com-perista ou até uma releitura do próprio Auei-ísmo.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Comentário sobre “A incrível caixa mágica chamada TELEVISÃO”.


Estamos perdidos! E não é um simples aparelho como a tal “caixa mágica” que nos induz a isso. A verdade é que estamos perdidos porque passamos a valorizar a futilidade, o imoral e o entorpecente. Penso a “caixa mágica” como uma arma irresponsável criada pelos grandes interesses em propagar a ignorância e a conseqüente incapacidade de questionar, porque é calado que somos frágeis e induzidos.
A “caixa mágica” é a ponta do iceberg, além dela existe a doutrinação social que consiste em lançar modas, tendências comportamentais e que, em extremos, libera e reprime determinados gestos humanos, por mais simples que sejam. Somos treinados a agir de forma padronizada. Não podemos comer sobremesa com a colher da sopa e nem muito menos podemos falar sobre o que nos incomoda, ainda mais quando a causa disso está relacionada com a insatisfação de viver sob a ordem social que insiste em nos apontar caminhos.
Somos produtos da TV Globo, das revistas de fofoca, do penteado do Chimbinha e das ordens dos nossos superiores. São eles que nos orientam rumo à debilidade da mente, da crítica e da consciência, fazendo-nos crer que a cada dia estamos mais próximos da luz e da independência, quando, na verdade, acabamos por nos prender mais e mais na rede da imbecilidade e do “leitecomperismo”. Somos escravos do dinheiro, das grifes e da cultura imposta, somos reféns da “tendência jovem” que rasga a “caixa mágica” às 17h e tanto com “Malhação” e que finda a noite mostrando a “realidade” brasileira limitada sempre, sempre e sempre ao bairro do Leblon.
A televisão é a cartilha da dominação. As revistas, o orkut, a sala de aula, o conselho do pai, os cartazes que divulgam shows, a missa, a conversa de bar, o “toque”, a fofoca, os movimentos políticos, a anarquia, a palavra do Lula, o cinema, a musica, as artes, poesia, a panfletagem nos grandes centros, a informação da atualidade nos jornais, o programa de culinária, a amizade com os inimigos e tantas outras coisas nocivas são legitimadores da alienação. São esses os fatores que possibilitam a fabricação de capachos servis para o projeto de nação que somos e que não pretende ser livre. É nessa realidade que vivemos e interagimos, construindo essa marca doente na sociedade, somos dominados e induzidos, somos fracos e viciados e, mesmo assim, muitos estão longe de reconhecer isso.
Eis aí, para isso, a “caixa mágica”, a janela pela qual, numa atitude suicida, nos atiramos e caímos sobre o fundo do poço vazio, escuro e pobre.

A incrível caixa mágica chamada TELEVISÃO.


Olá queridos espectadores! Quer dizer, tele-leitores ou seria melhor leitorespectadores? Sinceramente, eu nem sei mais, hoje em dia ninguém perde mais tempo lendo devaneios tolos de alguém como eu. Na verdade, ninguém perde mais tempo lendo coisa alguma. A caixa mágica não permite, ela nos suga, nos aprisiona e nos escraviza. A caixa mágica rege as nossas vidas, dita nossos horários e manipula nossas mentes. O quê? Não acredita em mim? É, acho que você já foi bem domesticado. Os indícios de sua influência estão bem ao alcançe dos olhos, basta perceber. Para onde estão voltados os movéis da sua casa? Quem dita o que é moda, o que é mais gostoso de se comer e o que como se deve agir? Coincidentemente, a caixa mágica!
Não pense, não reflita, seja um espectador, nunca protagonista na sua vida, aceite, aceite,você é o que veste, o que come, aceite,aceite, fique sentando em sua cama ou poltrona calado, não mude de canal, aceite,aceite...tic,tic...Tudo ficou tão escuro de repente, a luz da caixa mágica parou de ofuscar nossa visão e ainda estamos nos acostumando a enxergar por nós mesmos. Com tempo nossos olhos pararão de arder. Vamos caminhar um pouco? Hoje o luar está lindo e você não o vê a um bom tempo...